"...que noite maravilhosa!"
"Esta
(aponta para a moça)
que era ontem, é
essa?"
Disseram na calçada
"cor -
passou pelos pneus
reio"
A cidade desatarrachou de súbito.
Um bêbado se arrastou para os chapéus.
Os anúncios boquiabriram-se de susto.
Cuspiam
ora um "O"
ora um "S"
Mas na montanha,
onde chorava o escuro
e a cidade
timidamente se entornou,
era como se houvesse um flácido "O"
e um vil submisso "S".
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10.10.08
21.11.07
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“(...) Nenhum nome resta, nenhuma lembrança, hoje, do nome de ontem – ou do nome de hoje, amanhã. Se o nome é a coisa, se um nome é, em nós, o conceito de cada coisa situada fora de nós, e se, sem nome, não há o conceito, ficando em nós a coisa como cega indistinta e indefinida, então que cada um grave aquele nome que eu tive entre os homens, entalhando-o como epitáfio sobre a fronte daquela imagem com que lhes apareci, deixando-a em paz e relegando-a ao esquecimento. Um nome não é mais do que isso: um epitáfio. Convém aos mortos, aos que concluíram. Eu estou vivo e sem conclusão. A vida não tem conclusão – nem consta que saiba de nomes. Esta árvore respira, trêmula de folhas novas. Sou esta árvore. À árvore, nuvem. Amanhã, livro ou vento: o livro que leio e o vento que bebo. Tudo fora, errante”. (Pirandello, 2001)
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